terça-feira, 2 de março de 2010

HISTÓRIA DA DANÇA NO OCIDENTE

BOURCIER. Paul. HISTÓRIA DA DANÇA NO OCIDENTE.

São Paulo: Martins Fontes, 2001.

A PRIMEIRA DANÇA FOI UM ATO SAGRADO

O primeiro documento que apresenta um huma­no indiscutivelmente em ação de dança tem 14000 anos. Ainda é necessário elaborar um trabalho mui­to importante de levantamento e de comparação, pois os especialistas da pré-história se preocuparam muito pouco com a história do movimento. Por isso, o bom senso aconselha manter uma atitude objetiva e descritiva sobre os documentos iconográficos estudados. Ou seja, tem-se como regra, examinar bem os documentos, não ir além das constatações evidentes e não ceder ã tentação de imaginar sis­temas de ritos mágicos.

A orquèstica madaleniana

O ecossistema paleolítico baseia-se nos animais; as danças só poderiam referir-se a eles.

As grutas são santuários. Comprova-os o uso da sepultura ritual. Portanto, não se deve excluir a ideia de uma dança religiosa.

Quatro documentos

É preciso considerar que o número de documen­tos é limitado e que há um rigor em sua seleção.

Numa parede de uma gruta do período pré-histórico, isolado de qualquer outra representação, fato raro, está representado o ancestral dos dança­rinos sobre o qual seguem as constatações:

- Corpo e caráter da dança: o personagem execu­ta um giro sobre si mesmo.

- Vestimentas: o traje apresentado é elaborado.

Por analogia, nota-se que em qualquer parte do mundo e em qualquer época as danças sagradas se executam através de giros.

Imitações desta figura foram encontradas em outras grutas de outras cidades. Deve-se acreditar que a humanidade dispunha de uma espécie de fundo cultural comum.

As representações de grupo começam a ser frequentes no período mesolíttco, descobre-se uma cena gravada que apresenta uma roda de sete per­sonagens dançando em torno de dois personagens centrais que se contorcem no chão.

O movimento vai da direita para a esquerda, ou seja, é o da direção aparente dos grandes astros, o Sol e a Lua. Observar que todas as rodas espontâ­neas, mesmo as das crianças, giram na mesma direção e que as rodas têm as virtudes de uma di­nâmica de grupo, como acontece em geral nas dan­ças africanas.

Em suma. segundo os documentos conhecidos, a dança nos períodos mesolftico e paleolilico está sempre ligada a um ato cerimonial. O estado de despersonalização que parece ser procurado é fa­vorecido pelo uso de máscaras de animais que fa­zem parte do rito. Observar que a máscara é substi­tuída pela maquilagem.

A partir do período neolítico, a condição humana se transforma. De predador, o homem transforma-se em produtor; descobre as práticas da agricultura e da cnação de animais, torna-se senhor do seu destino.

Esse fato traz duas consequências, a população aumenta e os homens passam a se organizarem em grupos mais poderosos do que a família.

Nascem as cidades, cada uma com sua persona­lidade própria, suas próprias divindades protetoras, com frequência um animal simbólico, um totem. Os ntos religiosos personalizam-se em cada grupo à medida que este descobre sua identidade. Cada grupo terá sua ou suas danças próprias.

Em nenhum lugar foram encontradas represen­tações de danças agrárias miméticas muito antigas. Porém, foram resgatadas em grande número, re­presentações de combates cerimoniais dançados.

Observa-se na África do Sul cenas de dança, em solo ou coletivas, entre as pinturas rupestres, os participantes vestidos de animais de forma mais ou menos realista. Levam a supor um culto totêmico dançado. E mostra que os agrupamentos humanos tinham sua divindade-totem.

Assiste-se a uma mudança no sentido da dança: a identificação com o espírito conseguida pela dan­ça com giro, passa-se a uma liturgia, a um culto de relação e não mais de participação. Enfim, os do­cumentos mostram o nascimento da dança cerimo­nial leiga.

A dança nos antigos impérios

Por falta de documentação, fala-se com grande precaução da dança dos antigos impérios médio-orientais. Um grande período sem evidências es­tendesse entre o abandono da pintura parietal e o surgimento de uma iconografia orquéstica na ceri­mónia e em outraS artes plásticas. Muito pouco chegou até os dias de hoje sobre a dança no oriente médio. Entretanto, o Egito praticou amplamente as danças sagrada, litúrgica (principalmente a litúrgica funerária) e. enfim, de recreação. Sào numerosos os documentos iconográficos sobre a dança no Egi­to, apesar de estarem dispersos, mal classificados e serem textos herméticos.

Os hebreus, por causa da religião, não represen­tavam seres vivos, assim, o conhecimento sobre a dança hebraica baseou-se em textos escritos, es­sencialmente a Bíblia.

A dança tinha um caráter paraiitúrgico. abando­nada à espontaneidade da multidão, porém pratica­da em um contexto religioso. Apresentava rodas, danças em fileiras, giros e era praticada sem más­caras. A dança do povo hebreu não foi transformada em arte.

CAPITULO 2 - A DANÇA, DOM DOS IMORTAIS

A civilização grega è completamente impregnada pela dança, comprovam inúmeros documentos cole-tados em Creta . Muitas vezes abordada como dan­ça da beleza ou dança da feiúra.

Creta herda tradições que detectamos desde o início da história, as quais os Gregos transformarão completamente. Estes viam na dança a religiosida­de, consideravam-na divina porque dava alegria.

Na concepção de Sócrates, a dança forma o cidadão completo, além de ser um exercício capaz de proporcionar uma postura correta ao corpo. É fonte de boa saúde e expulsa os maus humores da cabeça. Portanto, a educação deve conceder muito espaço à dança, pois o corpo também é um meio de se conquistar o equilíbrio mental, o conhecimento, a sabedoria.

CAPÍTULO 3 - A IDADE MÉDIA INVENTA A RETÓRICA DO CORPO

Sabe-se pouco sobre a dança na alta Idade Mé­dia, a evidência é que haviam retomado um papel quase para litúrgico. Dançavam a dança de roda fechada ou aberta e, geralmente, ao som do canto gregoriano. Entretanto, ela não foi integrada ã litur­gia católica. Esta recusa é pelo fato de a dança estar ligada, muitas vezes, ao culto pagão.

Dessa forma, a Idade Média realizou uma ruptu­ra brutal na evolução da coreografia, normal em todas as culturas precedentes que destacaram três fases da dança: dança sagrada; dança de rito tribal totêmico; e dança de espetáculo, de divertimento. Foi essa última fase que caracterizou a dança na Idade Média cristã. Sob esta visão, surge a dança espetáculo. Somente com o estabelecimento da cultura feudal (cultura leiga) é que começaria uma evolução interna.

-CAPITULO 4^0 BALE DE CORTE

No século XII. a dança de corte assinalará uma nova etapa. A dança metrificada separa-se da dan­ça popular e torna-se uma dança erudita, onde além de saber a métrica é preciso, também, saber os passos. Surge o profissionalismo, com dançarinos profissionais e mestres de dança, até então a dança era uma expressão corporal de forma livre.

A partir deste momento, toma-se consciência das possibilidades de expressão estética do corpo hu­mano e da utilidade das regras para explorá-lo.

CAPÍTULO 5

A INVENÇÃO DA DANÇA CLÁSSICA

A sociedade do bale de corte - exclui-se a mas­sa popular, que não tinha direito á cultura ou qual­quer possibilidade de elaborá-la - cai na inação. é aprisionada num modo de vida rígido, submetido a regras minuciosas de horários.

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