Esse blog é destinado aos relatos de experiencias vividos em sala de aula como professor de educação básica II e Ensino Médio... Aos meus pensamentos.... a muitas coisas
Também tem a finalidade de ser uma "ponte" entre meus alunos e eu, para que possam ver suas notas, pegar orientações sobre trabalhos... entre outras coisas
O primeiro documento que apresenta um humano indiscutivelmente em ação de dança tem 14000 anos. Ainda é necessário elaborar um trabalho muito importante de levantamento e de comparação, pois os especialistas da pré-história se preocuparam muito pouco com a história do movimento. Por isso, o bom senso aconselha manter uma atitude objetiva e descritiva sobre os documentos iconográficos estudados. Ou seja, tem-se como regra, examinar bem os documentos, não ir além das constatações evidentes e não ceder ã tentação de imaginar sistemas de ritos mágicos.
A orquèstica madaleniana
O ecossistema paleolítico baseia-se nos animais; as danças só poderiam referir-se a eles.
As grutas são santuários. Comprova-os o uso da sepultura ritual. Portanto, não se deve excluir a ideia de uma dança religiosa.
Quatro documentos
É preciso considerar que o número de documentos é limitado e que há um rigor em sua seleção.
Numa parede de uma gruta do período pré-histórico, isolado de qualquer outra representação, fato raro, está representado o ancestral dos dançarinos sobre o qual seguem as constatações:
- Corpo e caráter da dança: o personagem executa um giro sobre si mesmo.
- Vestimentas: o traje apresentado é elaborado.
Por analogia, nota-se que em qualquer parte do mundo e em qualquer época as danças sagradas se executam através de giros.
Imitações desta figura foram encontradas em outras grutas de outras cidades. Deve-se acreditar que a humanidade dispunha de uma espécie de fundo cultural comum.
As representações de grupo começam a ser frequentes no período mesolíttco, descobre-se uma cena gravada que apresenta uma roda de sete personagens dançando em torno de dois personagens centrais que se contorcem no chão.
O movimento vai da direita para a esquerda, ou seja, é o da direção aparente dos grandes astros, o Sol e a Lua. Observar que todas as rodas espontâneas, mesmo as das crianças, giram na mesma direção e que as rodas têm as virtudes de uma dinâmica de grupo, como acontece em geral nas danças africanas.
Em suma. segundo os documentos conhecidos, a dança nos períodos mesolftico e paleolilico está sempre ligada a um ato cerimonial. O estado de despersonalização que parece ser procurado é favorecido pelo uso de máscaras de animais que fazem parte do rito. Observar que a máscara é substituída pela maquilagem.
A partir do período neolítico, a condição humana se transforma. De predador, o homem transforma-se em produtor; descobre as práticas da agricultura e da cnação de animais, torna-se senhor do seu destino.
Esse fato traz duas consequências, a população aumenta e os homens passam a se organizarem em grupos mais poderosos do que a família.
Nascem as cidades, cada uma com sua personalidade própria, suas próprias divindades protetoras, com frequência um animal simbólico, um totem. Os ntos religiosos personalizam-se em cada grupo à medida que este descobre sua identidade. Cada grupo terá sua ou suas danças próprias.
Em nenhum lugar foram encontradas representações de danças agrárias miméticas muito antigas. Porém, foram resgatadas em grande número, representações de combates cerimoniais dançados.
Observa-se na África do Sul cenas de dança, em solo ou coletivas, entre as pinturas rupestres, os participantes vestidos de animais de forma mais ou menos realista. Levam a supor um culto totêmico dançado. E mostra que os agrupamentos humanos tinham sua divindade-totem.
Assiste-se a uma mudança no sentido da dança: a identificação com o espírito conseguida pela dança com giro, passa-se a uma liturgia, a um culto de relação e não mais de participação. Enfim, os documentos mostram o nascimento da dança cerimonial leiga.
A dança nos antigos impérios
Por falta de documentação, fala-se com grande precaução da dança dos antigos impérios médio-orientais. Um grande período sem evidências estendesse entre o abandono da pintura parietal e o surgimento de uma iconografia orquéstica na cerimónia e em outraS artes plásticas. Muito pouco chegou até os dias de hoje sobre a dança no oriente médio. Entretanto, o Egito praticou amplamente as danças sagrada, litúrgica (principalmente a litúrgica funerária) e. enfim, de recreação. Sào numerosos os documentos iconográficos sobre a dança no Egito, apesar de estarem dispersos, mal classificados e serem textos herméticos.
Os hebreus, por causa da religião, não representavam seres vivos, assim, o conhecimento sobre a dança hebraica baseou-se em textos escritos, essencialmente a Bíblia.
A dança tinha um caráter paraiitúrgico. abandonada à espontaneidade da multidão, porém praticada em um contexto religioso. Apresentava rodas, danças em fileiras, giros e era praticada sem máscaras. A dança do povo hebreu não foi transformada em arte.
CAPITULO 2 - A DANÇA, DOM DOS IMORTAIS
A civilização grega è completamente impregnada pela dança, comprovam inúmeros documentos cole-tados em Creta . Muitas vezes abordada como dança da beleza ou dança da feiúra.
Creta herda tradições que detectamos desde o início da história, as quais os Gregos transformarão completamente. Estes viam na dança a religiosidade, consideravam-na divina porque dava alegria.
Na concepção de Sócrates, a dança forma o cidadão completo, além de ser um exercício capaz de proporcionar uma postura correta ao corpo. É fonte de boa saúde e expulsa os maus humores da cabeça. Portanto, a educação deve conceder muito espaço à dança, pois o corpo também é um meio de se conquistar o equilíbrio mental, o conhecimento, a sabedoria.
CAPÍTULO 3 - A IDADE MÉDIA INVENTA A RETÓRICA DO CORPO
Sabe-se pouco sobre a dança na alta Idade Média, a evidência é que haviam retomado um papel quase para litúrgico. Dançavam a dança de roda fechada ou aberta e, geralmente, ao som do canto gregoriano. Entretanto, ela não foi integrada ã liturgia católica. Esta recusa é pelo fato de a dança estar ligada, muitas vezes, ao culto pagão.
Dessa forma, a Idade Média realizou uma ruptura brutal na evolução da coreografia, normal em todas as culturas precedentes que destacaram três fases da dança: dança sagrada; dança de rito tribal totêmico; e dança de espetáculo, de divertimento. Foi essa última fase que caracterizou a dança na Idade Média cristã. Sob esta visão, surge a dança espetáculo. Somente com o estabelecimento da cultura feudal (cultura leiga) é que começaria uma evolução interna.
-CAPITULO 4^0 BALE DE CORTE
No século XII. a dança de corte assinalará uma nova etapa. A dança metrificada separa-se da dança popular e torna-se uma dança erudita, onde além de saber a métrica é preciso, também, saber os passos. Surge o profissionalismo, com dançarinos profissionais e mestres de dança, até então a dança era uma expressão corporal de forma livre.
A partir deste momento, toma-se consciência das possibilidades de expressão estética do corpo humano e da utilidade das regras para explorá-lo.
CAPÍTULO 5
A INVENÇÃO DA DANÇA CLÁSSICA
A sociedade do bale de corte - exclui-se a massa popular, que não tinha direito á cultura ou qualquer possibilidade de elaborá-la - cai na inação. é aprisionada num modo de vida rígido, submetido a regras minuciosas de horários.
Tão velho quanto a humanidade, o teatro, mani-festa-se desde os primórdios do homem. Sendo que, uma das formas arquetípicas da expressão humana é a magia da transformação de uma pessoa em outra.
O raio de atuação do teatro compreende desde a pantomima de caça dos povos da era glacial até as categorias dramáticas da atualidade.
Se o papel do xamã ou o dançarino mascarado é afastar os demónios, o ator tem, por função, interpretar a obra do poeta num movimento de conspiração contra a realidade prometendo outra mais verdadeira ainda. Nisso, reside o encanto do teatro que não nos permite perceber os artifícios para tal empreendimento.
Do ponto de vista da evolução cultural a principal diferença entre as formas de teatro primitivas e as mais avançadas é a quantidade de acessórios e adereços cénicos empregados na expressão da mensagem.
Nas culturas primitivas são explorados materiais com os quais o homem tem contato, como a pele de um animal, por exemplo. Ao passo que no período barroco o homem cha toda uma parafernália de equipamentos que conferem suntuosidade â cena. Para depois, no século XX, alguém como lonesco subverter a ordem primando pela desordenação do palco.
No século XX, pratica-se a arte da redução fazendo com que qualquer coisa além de um ponto de luz pareça demasiado para a cena.
Há o expoente Mareei Marceau que representa um teatro atemporal. Seus espetáculos contam com o deslumbre dos recursos cénicos de sua época somados à Commedia deirarte, e a pantomima proveniente da Ásia e da mimica da Antiguidade.
Para a compreensão do teatro primitivo, é necessário pesquisar as seguintes fontes: as tribos aborígenes, as pinturas das cavernas pré-históricas e a inesgotável riqueza das danças, mímicas e costumes populares que sobreviveram pelo mundo afora.
A utilização de acessórios no teatro está presente desde o teatro primitivo. Isso, além da presença de aromas inebriantes e ritmos para estimular os efeitos do teatro.
Oskar Eberle escreve: O teatro primitivo é uma "grande ópera", O espaço de representação do teatro primitivo é a natureza, o chão de terra batida e constam de seus equipamentos algum totem fixo no centro, um animal abatido ou um monte de grãos.
Havia a presença da dança coral e do loatro em forma de arena, isso somado a procissões para a celebração de rituais. Isso quer dizer, que onde houvesse pessoas que se reunissem com o intuito de celebrar a magia que ali se manifestaria formas de teatro.
Por isso, o teatro pode ajudar na compreensão da rotina da vida, de onde podemos encontrar e ser encontrados como indivíduos.
EGITO E ANTIGO ORIENTE
Introdução
As bases da civilização ocidental estão registradas na região do Egito e do Oriente Antigo. Na região que compreendia o Rio Nilo, o Rio Tigre e o Eufrates e ao planalto iraniano, do Bósforo ao Golfo Pérsico há três milénios a.C. Neste período, o Egito desenvolveu as artes plásticas, a Mesopotâmia desenvolveu uma ciência, e Israel uma religião.
Egito
O culto aos mortos no Egito antigo deu origem aos monumentos mais grandiosos e duradouros da história da humanidade. Foram construídos túmulos no período pré-histórico, nas pirâmides e câmaras mortuárias no Egito.
Nos templos onde estão esses túmulos foram retratadas cenas de dançarinas, banquetes e procissões, oferendas e sacrifícios nos murais dedicados aos mortos.
Tais imagens revelam a preocupação que os egípcios tinham com o mundo sobrenatural e revelam um carãter dramático. Estando contidos, em tais imagens, pedidos aos deuses em forma de pintura e escultura nas quais se escrevia uma palavra de invocação: Rá, o deus do paraíso. Esperava-se que esse deus recebesse o morto em seus reinos e o elevasse como seu igual.
Tais inscrições sepulcrais aparecem na forma de diálogo nas pirâmides. Por meio. desses hieróglifos que possuem mais de cinco mil anos é possível especular sobre o teatro no Egito.
A impressão que se tem da imagem que representa a deusa ísis pronunciando uma formula mágica para proteger Horus, seu filho, é de que a mesma foi concebida dramaticamente.
Mesopotâmia
Ao que parece, no segundo milénio a.C, altera-se o perfil dos deuses na Mesopotâmia. A partir de então, apresentam-se menos despóticos e severos.
Enquanto isso, o povo egípcio fazia peregrinações a Abidos em busca de graças divinas e erguendo monumentos comemorativos em homenagem aos seus deuses.
Desde então, considera-se que os deuses me-sopotàmicos estavam descendo a terra e participando dos rituais o que provocaria o começo do teatro ali.
A lenda do "matrimónio sagrado" que mostra a união do deus ao homem é um dos mais antigos mistérios da Mesopotâmia. Sendo que, utilizou-se nos templos da Suméria de pantomima, encantamento e música para encenar este drama religioso.
De acordo, com pesquisas recentes, o famoso estandarte-mosaico de Ur, do terceiro milénio a.C, é uma das mais antigas representações do "casamento sagrado". Trata-se de uma magnífica obra, com suas figuras compostas por fragmentos de conchas e calcário incrustados num fundo de lápis-lazuli, data de aproximadamente 2700 a.C.
Do segundo milénio em diante, o "casamento sagrado" foi quase com certeza celebrado uma vez por ano nos maiores templos do império sumeriano, com sacerdotes e sacerdotisas fazendo o papel de reis e rainhas.
Acredita-se que as disputas divinas dos sumérios possuem caraler teatral, dada presença de diálogos compostos durante o período em que a imagem dos deuses sumérios tornar-se mais humanizada no que diz respeito as características psicológicas dos deuses.
Há a presença de diálogos que apresentam a cada personagem tanto na forma como no conteúdo.
A partir de então é possível o desenvolvimento do drama com base num conflito simbolizado na ideia dos deuses e transportado para a psicologia humana, está esboçado o teatro.
AS CIVILIZAÇÕES ISLÂMICAS
As civilizações islâmicas abrigaram em seus territórios inúmeras transformações políticas, espirituais e intelectuais.
No Islã, a fé serviu como ponto de convergência para os povos do Oriente Próximo a partir do ano de 610, quando Maomé mercador a serviço da rica viúva Kadhija, recebeu a revelação do Islã no monte Hira perto de Meca.
Depois de então, pela primeira vez, os povos do Oriente Próximo experimentaram algum sentimento de solidariedade desenvolvendo um novo estilo cultural segundo os preceitos do Alcorão.
Aquele ambiente inibiu o crescimento do teatro e do drama mediante a proibição da personificação do Deus.
Porém, surgiria a taziyé que é tida com uma das mais impressionantes manifestações teatrais do mundo. A taziyé que resultou da divisão do Islã entre sunitas e xiitas nunca viajou além do Irã.
A presença do teatro no Islã estava em desacordo com os mandamentos do profeta, o que não impediu o cultivo de espetáculos populares ou o de sombra. Sendo que, para ludibriarem as proibições de representação da figura humana, se utilizava no teatro de sombras as figuras dos heróis-bonecos turcos Karagoz e Hadjeivat.
Os bonecos Karagoz e Hadjeivat eram confeccionados em couro de camelo, perfurados para deixar passar a luz e eram movimentados por ""meio de varas.
Pérsia
A prática da taziyé na Pérsia foi descrita e acompanhada por Sir Lewis Pelly, quando participou da missão diplomática inglesa à Pérsia entre os anos 1862 e 1873. Sendo que, ele coletou 52 peças e chegou a publicar 37 delas.
O primeiro teatro persa a abrigar uma obra de Shakespeare foi o Teatro Zoroastriano de Teerã, fundado em 1927.
Hoje, está instalado em Teerã um moderno teatro estadual, que devidamente equipado, abriga a representação de obras clássicas e de vanguarda do repertório internacional.
E, a população do campo demonstra predileção pelos espetáculos e danças tradicionais, apresentações de guerras acrobáticas e mitológicas e aos personagens folclóricos.
Turquia
Em 1922, com a extinção do sultanato, o império otomano chegou oficialmente ao fim, um ano mais tarde foi proclamada a República da Turquia. Os fatores que influenciaram o desenvolvi mento histórico e cultural da Turquia foram os seguintes: primeiro, os rituais xamânicos trazidos óa Ásia Central, que eram, até certo ponto, misturados com o culto frígio a Dionísio e que ainda existem nas danças e jogos anatólios; depois a influência da Antiguidade; em terceiro lugar vem a rivalidade com o Bizâncio; e por último, a influência decisiva do Islã a partir do século X.
A presença de músicos e dançarinos era abundante nas cortes e nos mercados, nos trens de bagagem das campanhas militares e entre as missões diplomáticas. Quando Manuel II Paleólogo, imperador do Bizâncio, visitou o sultão otomano Bayzed, admirou sua versátil trupe de músicos, dançarinos e atores.
Organizado segundo o padrão francês e italiano, o primeiro teatro turco com um fosso para orquestra e um cenário mecanicamente operado surgiu na primeira metade do século XIX. Foram apresentadas nesse teatro peças de Molière, Goldoni, Goethe e Lessíng.
A presença de malabaristas, mágicos e circenses continuava a agitar as plateias em galpões de madeira e tendas. Bem como nos cafés praticava-se a tradicional arte do meddha.
O orta oyunu de Gedik Paxá foi inaugurado em novembro de 1867, durante o Ramada, por um arménio de nome Gullu Agop. Este teatro tornou-se o centro do movimento nacional do teatro turco.
Porém, após a revolução de julho de 1908, o trabalho daquele autor estaria presente em teatros de todo o pais.
Atualmente, a Turquia conta com salas de teatro cuja programação consta de um repertório verdadeiramente internacional.
O teatro de Sombras de Karagõz
Karagõz é o nome da personagem herói e do espetáculo de sombras turco. Com personalidade espirituosa e sua rápida retórica engendra trocadilhos ásperos e críticos. Essa personagem difundiu-se pela Grécia, Balcãs e lugares longínquos da Á-sia.
AS CIVILIZAÇÕES INDO-PACÍFICAS
Introdução
Provenientes de uma só grande crença, a de prestar homenagem aos deuses, a dança e o drama eram os dois componentes de igual importância na Índia.
O deus Shiva, senhor da morte e do renascimento terreno, era representado como o rei dos dançarinos.
Na tradição hindu, o próprio Brahma também criou a arte do drama. Assim, antes de qualquer apresentação teatral, durante muitos séculos, reali-zava-se a cerimónia inicial de benção e purificação ligada a esse deus.
As grandes manifestações religiosas da india-bramanismo, jainismo e budismo cederam á dança, â pantomima exorcística e à recitação dramática, suas forças específicas do culto e sacrifício.
índia
Na índia, a arte da dança agrada aos deuses e é uma expressão notável da homenagem dos homens. Sendo assim, a origem do teatro hindu está na ligação entre a dança e o culto no templo.
A representação da dança pode ser encontrada ao longo de 3500 anos de escultura hindu, desde a famosa estatueta de bronze da "Dançarina", nas ruinas da cidade de Mohenjo-Daro, no baixo Indo, aos relevos nas colunas do templo hindu em Citam-baram, exibem todas as 108 posições da dança clássica indiana de acordo com Natyasastra de Bha-rata.
Os jardins dos templos incluíam locais tradicionais para a dança e para a música religiosa. E. as dançarinas ficavam subordinadas à autoridade dos sacerdotes do templo e praticavam sua arte, na medida em que esta tinha a ver com o culto, dentro do espaço do templo.
Havia uma assembleia de dança especial denominada natamandira, e para objetivos mais gerais, uma sala de celebração denominada mandapa, na qual as dançarinas, músicos e recitadores homenageavam os deuses. Até hoje, em alguns templos da índia pratica-se o costume das devadasis dançarem no cerimonial vespertino.
Utiliza-se o termo "teatro-templo" para se referir à arquitetura dos templos indianos. Sendo que, desenvolveram-se na índia as seguintes formas teatrais: o nata mais ligado à arte dos templos e o Rig Veda, mais próximo da manifestação popular com danças e acrobacias.
O Natyasastra de Bharata
O que se sabe sobre o teatro clássico da índia é que o mesmo derivou-se de uma única obra: o Natyasastra de Bharata. Estudiosos do sânscrito advogam que o autor Bharata viveu entre 200 a.C. e 200
d. C.
Esta documentado por Bharata. em Natyasastra. toda a forma do teatro do Extremo Oriente, constando toda a arte expressiva e precisa do corpo humano.
Dança e atuação teatral são uma única coisa, sendo necessária atenção por parte do dançarino e do ator a cada detalhe. Desde a concentração extrema até as pontas dos dedos. Isso tudo, de acordo com uma lista que contém 24 posições para as pontas dos dedos, 13 movimentos de cabeça, 7 de sobrancelhas, 6 de nariz, 6 das bochechas, 9 do pescoço, 7 do queixo, 5 do tórax e 36 dos olhos.
O Drama Clássico
Englobando toda a extensão da vida, da terra aos céus, o drama clássico indiano possui a linguagem espiritual traçada no Rig Veda, expresso em forma de baladas, que eram recitadas antifonica-mente nos ritos sagrados.
Indonésia
O teatro de sombra de wayang, surgido em Java, é tido como uma das formas teatrais mais belas desenvolvida ao sudeste da Ásia. Sua origem remonta a época pré-hindu dos cultos ancestrais javaneses. E, suas quatro variantes características podem ser encontradas ainda hoje por todas as ilhas.
Assim, é possível encontrar por meio de colecio-nadores, exemplares de seus graciosos atores, confeccionados em couro transparente, ou bonecos esculpidos em madeira, em relevo inteiro ou semi-relevo. com seus olhos bem estreitos e enigmáticos. O wayang adquiriu seus aspectos característicos durante o período áureo da civilização indiano-javanesa. Absorveu os velhos mitos védicos dos deuses, o Ramayana e o Mahabharata, e a riqueza das personagens desses dois grandes épicos e seus conflitos de guerra e paz.
O termo wayang purwa significa sombra antiga, ou da antiguidade. E, essa manifestação jamais se tomou profana ocupando até hoje uma função mágica entre o homem e o mundo metafísico.
Isso, ainda que o teatro wayang seja tão comercializado nas cidades da Indonésia quanto as danças indígenas e as danças com máscaras do wayang topeng, a famosa Dança das Ninjas, a Kiprah ou a djarankèpang. Ou, as formas de wayang wong. que significa o teatro do humano.
CHINA
Introdução
A história do teatro chinês remete a cinco mil anos atrás e envolve impérios e dinastias, rituais de fertilidade e de exorcismos xamânicos. Desde os primórdios da pantomima da corte e dos trocadilhos, sua mola propulsora foi o protesto contra o domínio mongólico. O drama chinês celebrou nos séculos XIII e XIV, seu triunfo nas colunas dos livros impressos e não nos palcos, ou seja, na forma de texto.
Até hoje, a arte dos acrobatas possui seu lugar de honra na Ópera de Pequim, numa das mais altamente consumadas formas de teatro do mundo. Sendo que, a acrobacia classifica-se como par da música.
Bertold Brecht incorporou ao teatro épico aquilo que chamou de "aspecto de exibição do antigo teatro asiático".
Origem e os "Cem Jogos"
O xamanismo foi grandemente desenvolvido no norte e no centro da Ásia. Mágicos e exorcistas eram responsáveis pelo transcorrer seguro da vida rural, pelas boas colheitas e pela boa sorte na guerra. Apresentavam danças rituais como wu wu em estado de êxtase.
O teatro de sombras chinês permaneceu como a forma favorita de teatro. Os bonecos de Pequim e de Szechuan, feitos de couro transparente de burro ou búfala, transmitem uma impressão da imaginativa riqueza de ação e dos personagens épicos dos mitos folclóricos. É possível que o teatro de sombras chinês tenha surgido na época do imperador Wu-ti.
Os "Cem Jogos" envolviam pantomimas, dança e apresentações acrobáticas e muito provavelmente eram praticados sobre uma plataforma simples, elevada, coberta por um telhado e limitada por uma parede ao fundo.
Os estudantes do Jardim das Pêras
Em meio ao surgimento do livro impresso, da manufatura de porcelanas, do florescimento da pintura, da poesia lírica e da intensificação do comércio com a Arábia e a Pérsia, o período da dinastia Tang (618-906) deu lugar ao mais famoso evento da história do teatro da China: a fundação do chamado Jardim das Pêras.
O Jardim das Pêras è a academia teatral imperial da qual os atores de hoje subtraem sua designação poética de "estudantes do Jardim das Pêras".
O Caminho para o Drama
Gêngis Khan esperava que o contato com os principais artistas chineses lhe favorecesse uma visão íntima da mentalidade do povo conquistado, por isso promovia as artes.
Mas, como era de se esperar o drama tornou-se um centro de resistência subterrânea ao domínio dos mongóis.
Drama do Norte e Drama do Sul
O drama do Norte pode reivindicar a descendência direta de Kuang Han-King, nascido em 1214, em Tatsu. Isso porque esse teatro estava cronologicamente cerca de duas gerações à frente do teatro do Sul.
Tido como o pai do drama chinês Kuang Han-King foi um alto oficial de Estado da dinastia Kin. Escreveu sessenta e cinco peças - comédias de amor, peças cortesãs e dramas heróicos. Catorze dessas chegaram até nós.
A peça Musical do período Ming
O músico Wei Liang-fu desenvolveu a partir dos elementos da música do Norte e do Sul, um novo estilo musical baseado em sistemas tonais e ritmos fixos. Criava, assim, uma nova forma teatral a k'um-ch'u.
Suas reformas musicais e os dramas líricos e poéticos do mestre Yu-Ming, cujas quatro peças mais famosas são conhecidas pelo título conjunto de Quatro Sonhos da Sala Yu-Ming, fundaram a alta perfeição do estilo moderno da Ópera de Pequim.
A concepção Artística da Opera de Pequim
A peça musical lírica e poética começou a se desenvolver por volta da metade do século XVIII, durante a dinastia Ching. O imperador Ch'ien Lung (1736-1795) tinha um grande interesse pelas trou-pes teatrais da China e encontrava tempo, em suas viagens, para visitar os teatros das províncias.
O estilo da Ópera de Pequim combina os dois elementos dominantes do teatro chinês: a perfeição uniforme do conjunto e também o desempenho individual singular do ator principal.
No palco, o ator não se apoia em aparatos cénicos para apresentar sua arte. Pois, o palco do teatro chinês e o mesmo de séculos atrás. Uma simples plataforma com um fundo neutro. Há apenas a presença de uma mesa, de uma cadeira, um divã coberto com um precioso brocado.
O Teatro Chinês Hoje
Cerca de quatrocentos estudantes passam por um intensivo treinamento na Escola Nacional em Pequim.
A influência do teatro ocidental não constituiu padrão para a cultura teatral chinesa. O que faz da Ópera de Pequim a essência da arte chinesa
JAPÃO
A mola propulsora do teatro japonês está no poder sugestivo do movimento, do gesto e da palavra falada. Os japoneses desenvolveram uma forma de expressão total quase que exclusiva. Podendo ser descrita como uma celebração solene, formalizada, de emoções e senomentos. cujos espetáculos evocam desde a pantomina até os mais sutis refinamentos da artearistocrática.
BARBOSA, Ana Mae. INQUIETAÇÕES E MUDANÇAS NO ENSINO DA ARTE. São Paulo: Cortez, 2007.
AS MUTAÇÕES DO CONCEITO E DA PRÁTICA
A aprendizagem da Arte é obrigatória pela Lei de Diretrizes e Bases - LDB - no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, no entanto, essa obrigatoriedade não é suficiente para garantir a existência da Arte no currículo. Somente a acão do professor pode torná-la essencial para favorecer o crescimento individual e o comportamento dos cidadãos. Ao Poder Público cabe propiciar meios para que os professores desenvolvam a capacidade de compreender, e conceber a Arte.
A falta de um aprofundamento dos professores de Ensino Fundamental e Médio pode retardar a Nova Arte. A Arte-Educação tem sua missão de favorecer o conhecimento das diversas formas de Arte.
MUDANÇAS NO ENSINO DA ARTE
A Arte-Educação mudou nos seguintes aspectos:
1- Maior compromisso com a cultura e com a história.
2-Ênfase na inter-relação entre o fazer, a leitura da obra e a contextualização histórica, social, antropológica e estética da obra. Só um saber consciente e informado torna possível a aprendizagem em Arte.
3-Influir positivamente no desenvolvimento cultural dos estudantes pelo ensino-aprendizagem da Arte. A Arte na Educação como expressão pessoal e como cultura é um importante instrumento para identificação cultural e o desenvolvimento individual. Por meio da Arte, é possível desenvolver a criatividade, percepção, imaginação, senso crítico, apreensão da realidade.
4-Pretende-se ampliar a criatividade com leituras e interpretações de obras de Arte.
5-Necessidade de alfabetização visual, onde não se restringe a análise da obra, mas, em que contexto está inserida.
6-Compromisso com a diversidade cultural é enfatizada pela Arte'Educação pós-Moderna.
7-Reconhecer que o conhecimento da imagem é de fundamental importância para desenvolvimento da subjetividade e desenvolvimento profissional.
TRANSFORMAÇÕES NO ENSINO DA ARTE
Embora a Arte seja uma disciplina de extrema importância, ela ainda não é vista como tal. A defesa do ensino de Arte na escola já reuniu inúmeros argumentos, quase todos alheios ao processo que compreendem a atividade artística, seus produtos, ações e reflexões. Dentre os argumentos, podemos citar:
1-AprendizagemdaArteparadesenvolvimento moral da sensibilidade e criatividade.
2-Ensino da Arte como forma de recreação.
3-Arte-Educação como artifício para ornamentação da escola.
4-Arte como apoio da aprendizagem e memorização dos conteúdos de outras disciplinas.
5-Arte como benefício para acalmar e relaxar.
As transformações nas concepções que tem orientado o ensino de Arte nas últimas décadas enfrentaram o desafio de refletir sobre esses processos, que desfiguravam o conceito de Arte na educação. O ensino de Arte na escola não está em busca de soluções, mas de questionamentos.
A ARTE E SEU ENSINO, UMA QUESTÃO OU VÁRIAS QUESTÕES?
A Arte é um grande desafio pois, nos coloca questões que nos permite utilizar diversas áreas do conhecimento, ela desafia, questiona, e levanta hipóteses.
A Arte contemporânea é discutida por vários estudiosos e especialistas. Ela é complexa e consequentemente seu ensino também. É necessário investimentos na significação da Arte, do Artesanato e cio design nas escolas, nas pesquisas, no artista e no educador juntos, e rejeição da segregação cultural na educação como afirma Paulo Freire.
CONCEITOS E TERMINOLOGIA
Na escola, ensinar e aprender são frutos de um trabalho coletivo. Os professores de Arte devem conhecer desde os conceitos fundamentais da linguagem da Arte até a linguagem artística em que se trabalha. É preciso conhecer seu modo especifico de percepção, como são construídos os sentidos a partir das leituras, como aprimorar o olhar, ouvidos e corpo. Para Perrenoud, o papel do educador é mediar objeto de conhecimento e o aprendiz. Uma mediação sempre será a articulação entre as histórias pessoais e coletivas dos aprendizes de Arte. O educador deve ser capaz de criar situações que possam ampliar a leitura e compreensão das pessoas, sobre stia cultura e seu mundo. No ensino da Arte, é preciso pensar em desafios instigantes e estéticos.
CAMINHOS METODOLÓGICOS
A Arte-Educação entendida como disciplina - A visão mais contemporânea do ensino da Arte valoriza a construção e a elaboração como procedimento artístico, enfatiza a cognição em relação à emoção e procura acrescentar a dimensão do fazer artístico á possibilidade de acesso e compreensão do património cultural da humanidade. Há uma proposta para que o ensino de Arte seja elaborado a partir de três ações básicas - Proposta Triangular do Ensino de Arte (experimentação, decodificação e informação):
1- Ler obras de Arte - a leitura de obras de Arte envolve o questionamento, a busca, a descoberta e o despertar do senso crítico dos alunos.
2-Fazer Arte - ação do domínio da prática artística.
3-Contextualizar - domínio da leitura da Arte e outras áreas do conhecimento.
A EDUCAÇÃO DO OLHAR NO ENSINO DA ARTE
O papel da Arte na educação está relacionado aos aspectos artísticos e estéticos do conhecimento. Expressar o modo de ver o mundo nas linguagens artísticas dando forma e colorido é uma das funções da Arte na escola. A educação estética tem como lugar privilegiado o ensino da Arte, entendendo por educação estética as várias formas de leitura, de fruição que podem ser possibilitadas às crianças no seu cotidiano.
OLHAR E VER
Nossa visão é limitada, vemos o que compreendemos e o que temos condições de compreender, o que nos é significativo. O sentido vai ser dado pelo contexto e pelas informações que o leitor possui. O olhar de cada indivíduo está impregnado de experiência e vivências anteriores que lhes são significativas.
IMAGEM
É comum nas escolas de Educação Infantil trabalhar com leitura de imagens sem, muitas vezes entender esse processo de leitura. É preciso compreender como a criança lê essas imagens e o que ela interpreta.
LEITURAS
As leituras mostram a diversidade de significados, o quanto os contextos, as informações, as vivências de cada leitor estão presentes ao procurar dar um sentido para a imagem.
EDUCAÇÃO DO OLHAR
É preciso educar o olhar da criança desde a Educação Infantil. O ensino da Arte contemporânea busca possibilitar atividades interessantes e acessíveis às crianças.
MULTICULTURALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE
O prefixo "multi" indica um trabalho entre muitas disciplinas e o prefixo "inter" a inter-relação entre duas ou mais disciplinas. Os trabalhos interdisciplinares na maioria das vezes são realizados sob a forma de projetos, o que é extremamente positivo em se tratando de Arte.
A educação multicultural envolve o desenvolvimento de competências em muitos sistemas culturais, e seu objetivo é promover a igualdade por intermédio da mudança educacional.
MULTICULTURALIDADE E UM FRAGMENTO DA HISTÓRIA DA ARTE/EDUCAÇÃO ESPECIAL
Uma das culturas minoritárias presentes no espaço da educação escolar é a do portador de necessidades especiais.
O maior desafio de uma pedagogia multicultural é aprender a lidar com a diversidade, compreendendo que o portador de necessidades especiais pode criar e recriar sua própria cultura, no entanto o conservadorismo se esquece disso.
INTERDISCIPLINARIDADE
O professor de Arte tem um papel importante como elo de ligação, entre outras disciplinas, no entanto deve ser respeitado tanto como os outros. A disciplina de Arte não é inferior às outras.
TECNOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS E O ENSINO DA ARTE
Vivemos num mundo rodeado de imagens, tantas que nem temos tempo se assimilá-las. Nesse contexto, é importante desenvolver a competência de saber ver e analisar as imagens para que ela adquira significado. É importante conhecer todos os meios tradicionais quanto os tecnológicos.
IMAGEM ESTÁTICA E IMAGEM EM MOVIMENTO
O jso de novas tecnologias na escola é defasado, mas não pode ser deixada de lado em detrimento do tradicionalismo. A imagem ganha a cada a-vanço tecnológico, mais possibilidades de apropriação e re-significação. A preocupação com a aprendizagem em Arte deve estar sempre presente com os meios tradicionais ou com recursos tecnológicos modernos. O uso de mais de um meio pode gerar imagens interessantes e significativas para os alunos, o que não pode é o professor ser resistente às mudanças.
APRENDIZAGEM DA ARTE E O MUSEU VIRTUAL DO PROJETO PORTINARI
Os museus virtuais se multiplicam na Internet e são instrumentos de educação. Diferencia os atuais formatos utilizados por instituições para a inserção de museus e acervos no espaço virtual, caracterizando os objetivos de cada uma das estruturas.
O conhecimento de projetos virtuais pode ser uma experiência riquíssima vivenciada por professores e alunos.
INTERNET: CULTURA E PODER
A Internet é um instrumento de ação artística cultural, por sua capacidade de levar imagens, documentos, textos, com extrema rapidez, e que devem ser explorados nos trabalhos com Arte, pois possibilitam o contato com produções artísticas de diferentes momentos e culturas.
A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE ARTE
Estamos passando por uma fase de retomada de uma identidade profissional do professor de Arte, que deve refletir sobre a prática pedagógica em busca de um maior domínio das ações educativas. Os cursos de formação de professores de Arte devem encarar o desafio de propiciar a seus alunos uma inserção na linguagem artística e reflexões críticas, e sua formação deve ser sempre contínua.
ENSINO DE ARTE
A autora aponta que há necessidade de um ensino de Arte sequencial, para que o aluno seja preparado para engajar-se no mundo artísttco-estético com certa autonomia, e espírito crítico.
ALMEIDA, Berenice e PUCCI, Magda. OUTRAS TERRAS, OUTROS SONS. São Paulo: Callis, 2003. A música como instrumento de educação Crianças e jovens precisam que capacidades sejam desenvolvidas para que possam enfrentar os desafios do mundo. Dentre estas capacidades, ressaltamos três: de se deslumbrar com o aprender, de conhecer a si mesmo e talvez a mais difícil que é a de respeitar e conhecer o outro. Através do trabalho musical com sons de outras terras, o aluno se propria do que é seu e passa a respeitar outras culturas. A música também é um recurso para que educadores desenvolvam alguns aspectos na formação da personalidade de criança e auxilia em novos aprendizados. Através da música, podemos ampliar a percepção, a concentração, a imaginação, as possibilidades de expressão dos nossos alunos. O projeto do livro consiste na educação musical, pretende propiciar aos alunos a reflexão sobre a diversidade musical ampliando assim seus horizontes e despertando a valorização de outras culturas, compreendendo-as. O projeto se propõe a estimular o conhecimento sobre a história, a cultura e a música de outros povos. O multiculturalismo na educação musical Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, aspectos do multiculturalismo podem ser abordados na educação, pois temos a necessidade de compreender outras culturas para ampliar nossos horizontes. Ao observarmos o que se tem feitos nas escolas na área de música é que a música brasileira que se faz não possui elementos verdadeiramente brasileiros. Não há o destaque para as particularidades étnicas ou regionais, o que nos leva a crer em uma globalização da música brasileira. Ao compreendermos outras culturas, passamos a compreender a nossa própria cultura e estamos assim preparados para enveredar por outras terras e outros sons sem perder a nossa própria identidade. Multiculturalismo como fenómeno Ao vivenciar a pluralidade musical, precisamos compreender a multiplicidade de expressões que unem e causam confrontos entre os povos. Infelizmente, ainda hoje, vê-se o tratamento a expressões culturais de outros povos com preconceito. Um dos grandes desafios da educação musical é encontrar uma forma criativa para nos aproximarmos de diversas culturas sem cair em folclorismos repletos de preconceito. Na educação, cabem todas as manifestações possíveis de expressão da cultura, inclusive o folclore, e não apenas ele. O importante é entender quem somos com espírito de investigação. É preciso ouvir músicas das etnias formadoras do Brasil, olhando cuidadosamente para suas particularidades. O multiculturalismo faz parte da história brasileira, sendo importante compreender o outro para compreender a nós mesmos sem ideias arraigadas ou antigas. A música dos povos Introdução aos conceitos que permeiam a música étnica A partir de uma reflexão sobre a música étnica, o professor poderá incentivar uma discussão em torno de uma ideia de que não existe uma música melhor do que a outra e sim a existência de uma diversidade que faz com que cada uma delas seja algo único. O conceito de etnia está relacionado à raça e povo. Portanto, música étnica diz respeito a raças, povos e etnias. Estamos falando de uma música que está calcada nas tradições de um povo. Durante algum tempo, uma forma de definir música étnica era dizer que era uma música desvinculada à indústria fonográfica ou que estava longe dos meios de comunicação de massa. Essa ideia caiu por terra, pois podemos ouvir a música de qualquer parte do mundo em nossa casa ou sendo encontradas em lojas de discos, documentários de TV etc. Algum aluno poderá estranhar a música africana ou indígena, e o professor não deverá puni-lo e sim desenvolver estratégias para ideias que sejam úteis não só na educação musical, mas na vida do próprio aluno. É preciso um conhecimento aberto e investigativo. Ao estudarmos a música étnica, não devemos nos ater a autores e sim devemos procurar entender o universo a que aquelas formas musicais pertencem, formando assim, o gosto estético dos alunos. Cabe aos educadores, buscar no estudo da música a compreensão de suas diversas formas e de que maneiras elas podem ser utilizadas em sala de aula. Um breve histórico sobre a etnomusicologia A etnomusicologia é o estudo das músicas de diferentes povos, isto é, o estudo das etnias musicais. A música étnica engloba termos como música folclórica, de raiz, tradicional etc. Ela pode apresentar aspectos que envolvam a religiosidade, o profano, o anonimato ou autoria das canções, a forma lúdica ou rígida, o ritualismo, os momentos de iniciação. A música também pode ser espontânea ou induzida, coletiva ou individual, enfim, pode ter múltiplas funções e significados. Folguedos Inúmeros folguedos brasileiros tiveram origem nas danças portuguesas, desde as mais populares e profanas até os autos religiosos. Dentre as várias podemos citar: - Pastoris: folguedo que descreve a viagem dos pastores a Belém enquanto cantam e contam o nascimento de Jesus. Com o passar do tempo, os pastoris passaram a incorporar elementos profanos. - Reisados: auto popular que tem origem nas festas portuguesas chamadas Janeiras e Reis. São cortejos realizados em períodos natalinos e apresenta vários episódios com temas profanos e religiosos. Dentre eles, está o bumba-meu-boi. • Bumba-meu-boi - festa popular realizada em várias regiões do Brasil. É bem humorada e bem rica em sua simbologia. Há após as visitas festivas às famílias amigas a encenação cómica do enredo de Catirina e Pai Francisco, onde ela grávida deseja comer boi. O boi é morto e após tentativas de pajés o boi ressuscita para a alegria de todos. Danças Várias danças influenciaram a cultura brasileira, dentre elas: - Ciranda - dança de roda popular no Brasil, e era dançada pelos adultos trabalhadores do campo. Muito difundida no Norte e Nordeste do Brasil. Existem dois tipos de ciranda: a praieira nordestina e a do sudeste. - Cacuriá - após a procissão do Divino, na festa dos pratos, os maranhenses dançam o cacuriá. Mesmo sendo dançada após a festa do divino, tem caráter profano. Instrumentos musicais A maioria dos instrumentos de cordas no Brasil tem origem portuguesa. • Cordas portuguesas - Violão - mais conhecido instrumento brasileiro presente em vários géneros musicais como choro, MPB, samba etc. - Viola - conhecida como viola caipira pertence à música sertaneja. - Cavaquinho - possui quatro cordas e é usado em choros, moçambiques, fandangos e congadas brasileiras. - Rabeca - espécie de violino rústico usada pelos cantadores de cordel nordestino, em folias do Divino, no moçambique e em fandangos. • Percussão - Pandeirão-adufe - pandeiro quadrado sem plati-nela encontrado em alguns folguedos brasileiros. - Caixas - usadas nas festas do Divino, cacuriá, cocos, congadas e maracatus. Também conhecidas como alfaias. A diferença entre a caixa usada nas fanfarras e as alfaias está na presença nas caixas de esteiras na parte inferior do instrumento que dá caráter militar. A música africana A música para os africanos é parte integrante da vida social e religiosa, tendo o sentido básico da comunicação, seja ela espiritual, mística ou cotidia-na. O jeito africano de se lidar com a música é peculiar, pois ela faz parte da vida da sociedade e esta característica é marcante no continente. A polirritmia é rica e complexa, sendo composta por tambores de vários tamanhos e tipos. Podemos observar também: - a suavidade das kalimbas que ilustram as histórias infantis; - a sonoridade única do canto contrapontístico dos pigmeus, fundido ao som de insetos da floresta;
- o som das koras de Mali que pode se fundir a outros instrumentos de cordas ocidentais. Referências africanas na música brasileira - Ritmo - elementos característicos dos ritmos africanos foram incorporados à música brasileira. Isso é perceptível em manifestações populares como o samba, o bumba-meu-boi etc. - Canto - uma das formas mais características do canto africano é o canto responsorial (alternância entre coro e solista). O puxador, cantador ou mestre designa o responsável pelo canto inicial e coro pode ser acompanhado por instrumentos musicais. - Dança e música - a dança e a música têm relação direta na cultura africana e isto também é presenciado na música brasileira. Exemplo: congadas, maracatu, capoeira etc.
Instrumentos musicais Boa parte dos instrumentos brasileiros, sobretudo os de percussão, são de origem africana. Podemos identificar os seguintes: - Atabaque - usado nos terreiros de candomblé; - Cuíca - conhecido como puíta ou tambor de onça, imita o som de boi; - Zabumba - tambor largo que usa baqueta para ser tocado e produz som grave. Utilizado nos forrós, baiões e xotes nordestinos; - Pandeiro - possui platinelas e é o símbolo do samba brasileiro. Também utilizado no fandango; - Pandeirão - não tem platinelas, tem diâmetro maior, é utilizado no Boi do Maranhão; - Tamborim - tambor pequeno tocado com baqueta dupla, utilizado nas escolas de samba; - Agogô - usado no samba e no maracatu e produz duas notas; - Reco-reco - raspador usado em várias partes do Brasil; - Caxixi - chocalho cheio de sementes e que se juntou ao berimbau; - Ganzá - chocalho feito de metal que acompanha o pulso da música; - Xequerê - chocalho com sementes fora da cabaça; - Berimbau - usado na capoeira, acompanhado pelo caxixi e tem origem angolana; - Kalimba (mbira, sanza ou piano de cuia) - feita de cabaça ou madeira com lâminas de ferro percutidas com os dedos; - Marimba e xilofone - instrumento formado por placas de madeira de diferentes tamanho percutidas com baquetas. Embaixo dessas placas possui tubos ou caixas de madeira; - Orocongo - conhecido como urucungo é o ancestral do violino e possui uma corda. O livro possui ainda várias partituras comentadas das músicas presentes no CD de apoio ao professor, e uma vasta bibliografia e discografia que poderão ser instrumento de pesquisa para ampliar os conhecimentos musicais.